Abril marrom: escolas de SP contam com mais de 3 mil alunos com deficiência visual

O Dia Nacional do Sistema Braille é comemorado nesta sexta-feira (8), durante o Abril Marrom, um mês dedicado à conscientização social sobre a cegueira. Só em São Paulo, de acordo com o último levantamento feito pela Seduc-SP (Secretaria da Educação do Estado de São Paulo), as escolas do estado contam com 3.568 alunos com deficiência visual ou de baixa visão.

Em sala de aula, os alunos recebem materiais especiais como máquina braille, globo terrestre em braille, reglete, entre outros, que ajudam a promover a inclusão, como é o caso de Samuel Nóbrega Italiano, 8 anos, diagnosticado com baixa visão, além de paralisia cerebral, microcefalia e hidrocefalia, síndrome de west e faz uso de DVP (Derivação Ventrículo Peritoneal), uma válvula para alívio da pressão no cérebro causada pelo acúmulo de líquido.

Samuel é filho de Gilvania Lima Italiano Nóbrega e Pedro Silva Nóbrega Italiano e a familia mora no bairro de São Miguel Paulista, zona leste da cidade de São Paulo. Gilvania explica que o diagnóstico foi dado aos 6 meses de vida do filho. “Levei ao oftalmologista e lá foi diagnosticado com baixa visão ou visão subnormal, que é uma perda da capacidade de ver e que não pode ser corrigida por óculos convencionais, lentes de contato, medicação ou cirurgia”, explica.

Após o diagnóstico, a oftalmologista encaminhou à família a Laramara (Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual). “Lá nós conhecemos os direitos para a educação do nosso filho e também entendemos qual a é importância do brincar para aprender”, relata.

Para Gilvania, os profissionais da área da educação não estão preparados para a inclusão do aluno com cegueira ou com alguma deficiência visual. “Eles precisam ter mais conhecimento do assunto, inclusive do braile, para entender melhor as dificuldades e as necessidade de pessoa cega ou deficiente.” 

“Também faltam materiais adaptados como um plano inclinado para a criança com deficiência visual poder manipular melhor o caderno ou o material escolar — muitos lugares ainda não têm”, desabafa. 

Junia Carla Buzim é pedagoga na Laramara e explica que a inclusão do aluno com deficiência nas escolas é um direito da criança e um dever de todos. “Os alunos com deficiência visual (baixa visão ou cego) não são diferentes dos outros colegas, seus desejos são os mesmos de qualquer criança: eles querem brincar, aprender, se comunicar, tem curiosidade e interesse sobre as coisas e devem fazer as suas próprias escolhas”, explica.

Ainda de acordo com a pedagoga, para promover a inclusão é necessário que o ambiente em que o aluno esteja inserido seja estimulador. “É preciso oferecer condições favoráveis para a aprendizagem, que tenha acesso à estrutura adequeda para o seu desenvolvimento e que sejam tratados da mesma forma que os colegas, respeitando assim o direito de uma escola de qualidade e inclusiva”, diz.

Entretanto Junia faz um alerta sobre a importância da escola no processo de inclusão dos estudantes com baixa visão ou cegueira. “A escola é uma grande aliada, é um espaço onde as questões relacionadas a estereótipos podem ser debatidas e analisadas promovendo trocas enriquecedoras para todos” avalia. “A escola deve ser um espaço para a diversidade, oportunizando o olhar para as singularidades, permitindo a mudança de consciência e de atitudes e promovendo o desenvolvimento integral da pessoa com deficiência e é importante que a escola entenda que para o sucesso da aprendizagem do aluno com deficiência visual é necessário um trabalho em conjunto com a família e associações que a criança esteja inserida.”

Para a pedagoha, as atividades colaborativas entre os alunos, que possam ser desenvolvidas em dupla ou grupos, auxiliam no desenvolvimento da percepção tátil e é essencial para o progresso da capacidade de organizar, transferir e abstrair conceitos. “O uso de recursos como computadores com programas sintetizadores de voz e ledores de texto, uso de máquina de escrever braille, provas em braille, provas oral e apresentação de seminários são algumas destas opções”, finaliza.

A Seduc-SP afirma que não há restrição de matrícula para alunos que queiram ingressar na rede estadual de ensino. Aqueles com deficiência visual são inseridos no ensino regular com garantia do atendimento educacional especializado e seguindo as diretrizes da política de educação especial do estado de São Paulo.

Segundo o governo, a capacitação dos educadores das salas especiais, com atendimento voltado para os alunos com deficiência visual e aprofundamento em educação especial ocorrem periodicamente na Efape (Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação do Estado de São Paulo). Até maio deste ano, serão mais 75 horas de formação docente voltadas especificamente para o atendimento de pessoas com deficiência visual.

O Sistema Braille é composto por 63 sinais, gravados em relevo, que são combinados em duas filas verticais, com três pontos cada uma. A leitura se faz da esquerda para a direita. A técnica se adapta à leitura tátil. O criador do sistema foi Louis Braille, francês que nasceu em 1809. Ele ficou cego em 1812, aos três anos de idade, após um acidente na oficina do pai. Para desenvolver um sistema de leitura e escrita para pessoas cegas, o Braille usou como base o sistema Barbier, utilizado entre os soldados do exército francês para a comunicação noturna.

De acordo com o último levantamento feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), dados mostram que no Brasil, existem mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual.

*Estagiário do R7 sob supervisão de Karla Dunder

abril 8, 2022

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