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Crise de ansiedade ou infarto agudo do miocárdio?

todayagosto 23, 2022 13

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A dor no peito classicamente é entendida como um sinal de dor relacionada a complicações cardíacas, mas muitas vezes está relacionada a transtornos de ansiedade. Sabe-se que muitas condições clínicas podem reproduzir tal sensações similares no corpo humano. Hoje vamos aprender a diferenciar uma das complicações cardíacas mais conhecidas, o infarto agudo do miocárdio das crises de ansiedade. Podemos considerar um erro comum da equipe de enfermagem, a confusão entre as duas patologias, pela equivocada avaliação clínica.

Quando uma pessoa possui dor no peito podemos considerar a possibilidade de um desconforto ligado ao infarto agudo do miocárdio ou um quadro de ansiedade. Pela semelhança de alguns sintomas, sabemos que as condições podem ser confundidas pelos profissionais da saúde no momento da avaliação. Na maioria das vezes, as pessoas em quadro de ansiedade ou em crise de ansiedade, procuram a emergência de hospitais, mesmo sem ter qualquer complicação cardíaca, informando dor torácica, aperto no peito e outras condições clínicas. Daí pode o profissional, conduzir de forma equivocada o cuidado em saúde.

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Sabemos que  o infarto é o resultado da diminuição da oclusão de uma das artérias que geram aporte sanguíneo para o coroação, gerando injuria tecidual no músculo do coração. A dor torácica relacionada a essa condição começa no peito e pode irradiar para outras partes do corpo, sendo mais comum que aconteça no braço esquerdo. A sensação de aperto no tórax, sudorese, palidez facial, aumento da frequência cardíaca são alguns dos sintomas. Lembramos aqui que alguns pacientes podem sofrer infartos assintomáticos, comum em pacientes com o diagnóstico de diabetes. Uma condição não existente no IAM que é comum nos transtornos de ansiedade é a dispneia ou a informação de falta de ar. Mas essa condição pode ser observada em idosos. Por isso, é necessário a diferenciação para que não se cometa iatrogenias do cuidado.

Os principais sintomas de infarto agudo do miocárdio (IAM) são: 

  • Dor precordial durando alguns minutos e sendo revertido com uso de nitrato e repouso;
  • Dor irradiada no membro superior esquerdo, podendo acontecer no direito, na nuca, na lombar e no abdome;
  • Sudorese;
  • Palidez;
  • Lipotimia ou sincope
  • Cefaleia intensa;
  • Náusea e vômito
  • Dormência em membros superiores e face ou formigamento;
  • Inquietação ou acatisia;
  • Desorientação e confusão mental.

Os casos de crise de ansiedade ligados acontecimentos emocionais atípico ou ligados a transtornos de ansiedade, com manifestações típicas, podem ser confundidos com a dor torácica do IAM ou de outras condições cardíacas. Mas podemos diferenciar dado algumas condições clínicas específicas dos quadros de ansiedade. A preocupação é mais constante e pode ser considerada uma condição, onde o corpo detecta perigo e reage de forma a preparar-se para o mecanismo de luta ou fuga. Assim, quando o estímulo é constante o corpo repete descarga adrenérgica e o aumento de catecolaminas na função pré-sináptica, para deixar o corpo em preparação, além de fechar os canais de CL-, promovem maior atenção da pessoa a situação.

As crises de ansiedade são aquelas que vão promover a ida do usuário ao hospital, nascendo a suspeita de IAM. Não podemos desconsiderar nunca qualquer condição cardíaca, sendo objeto de investigação. Mas podemos ter algumas informações para ficar em alerta. Vamos conhecer algumas diferenças do IAM e alguns sintomas de ansiedade que podem ser característicos.

Sintomas da ansiedade e diferenças do IAM:

  • As crises duram de 20 a 30 minutos e terminam muitas vezes sem o uso de medicação;
  • Durante a crise o paciente pode perder o controle corporal;
  • Alterações de humor podem ser observadas;
  • A agitação e angústia são presentes;
  • Sensação de que algo ruim está pra acontecer pode ser comum;
  • Diferente da ansiedade a dor se localiza na área do peito e se associa com dispneia, taquipneia ou apneia;
  • A dor torácica não tem a pressão percebida no IAM;
  • Os formigamentos podem acontecer em diversas áreas do corpo;
  • Inquietação e acatisia podem ocorrer assim como nos casos de IAM;
  • Enjoos e náuseas são comuns assim como nos casos de IAM;
  • Cefaleia é comum como nos casos de IAM;
  • Cansaço e indisposição;
  • Dificuldade de concentração para o trabalho, estudo ou lazer;
  • Dificuldade de ficar parado em um único local;
  • Distúrbio do sono ou alimentares geralmente compulsão alimentar está associada;
  • Tensão muscular.

Conhecendo os principais sintomas podemos perceber algumas diferenças. Após compreender as condições clínicas e sabendo diferenciá-las é necessário descartar o IAM. Por isso, os exames de eletrocardiograma, ecocardiogama e cateterismo devem ser feitos.  A dor torácica é o evento que causa a maioria das dúvidas sobre a temática. Pode ser provavelmente não anginosa, que tem poucas características da dor definitivamente anginosa, considerando a condição típica da dor cardíaca, descrita anteriormente no IAM, mas que confunde-se por ter alguns sintomas psiquiátricos por exemplo; a dor definitivamente não anginosa, seria a dor causada pela crise de ansiedade por exemplo, sendo àquela que se afasta dos sintomas de IAM por exemplo, ou outras condições cardíacas.

Saiba mais: ACC 2022: arritmias após infarto agudo do miocárdio – estudo BIOGUARD

A definição de dor anginosa se faz na consideração da precipitação por esforço físico, irradia para ombro, mandíbula e fase interna do braço, tem duração de alguns minutos e alivia em 10 minutos com repouso e o uso de nitratos. É necessário ainda avaliar as comorbidades e o histórico, tipo físico e outras condições que levem a necessária investigação clínica mais apurada. O que sabemos é que sempre devemos avaliar a dor torácica para diferenciar de quadros psiquiátricos das condições cardíacas.

Desta forma, deve o profissional se atentar para a necessidade de conhecimento clínico e da realização constante de toda equipe dos diagnósticos diferenciais que podem servir de avaliação das queixas, dos sinais, sintomas, e alteram a conduta e a classificação dos riscos e da condução clínica.


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Autor

Doutorando em Ciências do Cuidado em Saúde (UFF), Mestre em Ciências do Cuidado em Saúde (UFF) e Especialista em Atenção Psicossocial.

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# Leite MRA, et al. Diagnóstico diferencial de dor torácica na emergência. Revista Interdisciplinar em Saúde, Cajazeiras, 2019;6(5):111-127. DOI: 10.35621/23587490.v6.n5.p111-127

# Soares Filho GLF, et.al. Dor torácica no transtorno de pânico: sintoma somático ou manifestação de doença arterial coronariana?. Archives of Clinical Psychiatry (São Paulo). 2007;34(2):97-101. DOI: 10.1590/S0101-60832007000200006.

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