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Elas passaram em Medicina

todayagosto 21, 2022 5

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Cuidar das pessoas está “no sangue” de Alice Baumgarten, de 23 anos. Sua irmã é enfermeira e sua mãe, técnica de enfermagem. A madrinha fez faculdade de medicina na UFES (Universidade Federal do Espírito Santo). “Ela foi um dos meus maiores exemplos para também escolher esse curso”, revela a estudante.

O problema, claro, era o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio, essencial para a aprovação em instituições públicas). Ou melhor: a preparação para ele. Alice conta que se sentia perdida nas aulas dos cursinhos tradicionais porque a quantidade de conteúdo exigido era muito grande.

Alice já era inteligente, mas contou com um reforço: uma inteligência artificial. Ela foi aprovada em Medicina na UFES em 2020 depois de recorrer ao sistema de estudos desenvolvido por uma edtech (empresa de tecnologia de ensino) local, a Gama Ensino.

A IA criada pela Gama consegue, por exemplo, avaliar a evolução do Enem e estabelecer tendências de temas nas próximas provas. (De fato, elas têm mantido um certo “padrão” de um ano para o outro).

Interface do sistema da Gama Ensino, com IA preditiva de padrões do Enem

Imagem: Reprodução/Gama Ensino

Mas, mais do que isso, a IA permite personalizar a grade curricular do aluno, entendendo seus pontos fortes e fracos.

“Fiz dois anos de um cursinho tradicional e não é humanamente possível, em um ano, estudar todos os conteúdos que esse tipo de preparatóro oferece. Isso gera em uma grande quantidade de matéria acumulada e consequentemente a frustração”, diz Alice. “Com o Gama, pude saber exatamente o que eu tinha dificuldade, porém apenas nas matérias que eram relevantes.”

Segundo a Gama, a taxa de aprovação dos alunos que recorrem ao sistema é de 80%, sendo que 60% passam em uma Universidade Federal. Para isso, o tempo de estudo na instituição fica entre 6 a 18 meses.

Metodologia também envolve aulas presenciais

Imagem: Divulgação/Gama Ensino

Como funciona?

Inicialmente, o sistema faz testes dinâmicos com o vestibulando para mapear, em três níveis de profundidade, quais são os assuntos que ele precisa aprender para pontuar naquela prova.

“Esses exames são registrados na AI e renovados em cada módulo”, explica o presidente executivo da Gama, Nilton Sagrillo. Ele foi o criador do protótipo da IA, depois desenvolvida pelo diretor de produto Lorenzo Tessari e pelo diretor de tecnologia Silas Campos.

Interface do sistema: avaliações constantes para direcionar o aluno

Imagem: Reprodução

Assim, é possível entender como a escola pode reestruturar a grade de ensino em torno das demandas específicas dos alunos.

“A gente fazia esse teste e o resultado era jogado no sistema, para ser combinado com o vestibular a ser prestado”, relembra Alice. “Depois, eles nos chamavam para uma reunião para mostrar as áreas que precisávamos dar mais atenção.”

A carga horária é balanceada para cada matéria de forma personalizada, inclusive destacando temas que têm maior probabilidade de cair na prova. Os cursinhos tradicionais costumam manter o mesmo nível para todas as disciplinas.

“Às vezes, mesmo algum conteúdo que eu conhecia bastante tinha que ser mais estudado do que outra matéria em eu não tinha uma base boa, mas não era relevante para o vestibular que eu queria”, resume Alice.

Taxas de aprovação

Anna Karolyna Moreira passou em Medicina em 2020: “evolução muito clara”

Imagem: Arquivo pessoal

Apesar da IA oferecer suporte para outros vestibulares, como os de engenharia, direito, nutrição e odontologia, “mais de 90% dos nossos alunos focam em medicina”, conta Sagrillo.

Anna Karolyna Moreira, de 24 anos, foi uma delas. Desde criança, testemunhou a dificuldade da sua família em acessar a rede pública de saúde.

“Pretendo me envolver mais com a área clínica, para poder criar um vínculo verdadeiro com as pessoas e fazer o possível para tornar a vida delas um pouco melhor”, afirma.

Em 2020, ela foi aprovada na UFES. E a experiência com a IA fez toda a diferença.

“Na [escola] tradicional, parecia que eu não saía do lugar. Na Gama, eu conseguia gerenciar melhor meu tempo e via uma evolução muito clara. Eu lembro dos simulados; as notas eram muito boas”, conta Anna.

Anna Karolyna diz que percebeu que a edtech tinha uma preocupação “mais realista” de suas necessidades. E não ficava tudo a cargo da IA: depois da análise sistematizada dos exames, os pontos fracos em cada disciplina eram revistos com os professores.

Dicas para o Enem

Segundo Sagrillo, o erro mais cometido pelos estudantes brasileiros é acreditar que, para passar no Enem, precisa estudar e aprender a matéria toda. Para ele, o Enem é uma prova com características específicas, com padrões nas disposições dos temas. “Focar nos assuntos mais recorrentes de cada matéria é o que garante a aprovação”, explica.

Além disso, é importante dominar muito bem o básico de cada matéria cobrada. Outra dica é, durante o preparo, fazer várias provas antigas e simulados. São através desses exames que o estudante consegue identificar aquilo em que está perdendo ponto e que precisa evoluir.

Já no ponto de vista das ex-alunas Alice e Anna (agora estudantes de Medicina), é importante controlar a ansiedade e ter um estudo organizado – e personalizado.

As provas do Enem 2022 estão marcadas para os dias 13 e 20 de novembro.

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