Menos Infecções de Covid-19 e Mais Empregos nos EUA Mostram Cenário Positivo de uma Economia que Busca se Estabilizar

Em um possível sinal de esperança para a economia americana, empresas aumentaram suas contratações em fevereiro (2022) à medida que o número de infectados pela variante ômicron foi caindo e mais americanos passaram a sair e a gastar em restaurantes, lojas e hotéis – mesmo com o aumento da inflação.

Os empregadores dos mais diversos segmentos criaram 678.000 vagas em fevereiro, maior quantidade desde julho, de acordo com o Labor Department.  A taxa de desemprego caiu de 4% para 3,8% em janeiro, estendendo um declínio acentuado do desemprego ao seu nível mais baixo desde antes da pandemia começar em 2020.

É válido lembrar que esses números foram antes da invasão da Ucrânia pela Rússia -que elevou os preços do petróleo e aumentou os riscos e incertezas para as economias da Europa e do resto do mundo.

No entanto, os dados de contratação de fevereiro sugerem que, dois anos após a pandemia desencadear uma paralisação nacional e 22 milhões de perdas de empregos, finalmente há um cenário positivo à vista para os próximos meses. Mais pessoas estão aceitando empregos ou procurando trabalho – uma tendência que, se persistir, ajudará a aliviar a escassez de mão de obra que atormentou os empregadores em 2021.

Além disso, menos pessoas estão trabalhando remotamente agora por causa da pandemia. Um fluxo contínuo de pessoas está voltando aos escritórios e isso pode aumentar o emprego nos centros urbanos. Além disso, o número de americanos que adiou a procura de emprego por medo da covid-19 caiu drasticamente de janeiro para fevereiro, o que reflete uma resposta à vacinação.

Outros dados econômicos recentes também mostram que a economia mantém a força à medida que o número de infecções por covid-19 cai. Os gastos do consumidor têm aumentado, estimulados por salários e poupança mais altos. Os restaurantes recuperaram o número de clientes em níveis de pré-pandemia já, as reservas de hotéis aumentaram e muito mais americanos estão viajando de avião agora.

Ainda assim, os custos crescentes da gasolina, trigo e metais como o alumínio, que são exportados tanto pela Ucrânia quanto pela Rússia, provavelmente acelerarão a inflação nos próximos meses. Preços mais altos e ansiedade em torno da guerra podem desacelerar as contratações e o crescimento no final deste ano, embora os economistas esperem que as consequências sejam mais severas na Europa do que nos Estados Unidos.

A inflação já atingiu seu nível mais alto desde 1982, com picos de preços especialmente altos em produtos como alimentos, gasolina e aluguel. Em resposta, o Federal Reserve deve aumentar as taxas de juros várias vezes ainda em 2022. Esses aumentos acabarão significando taxas de empréstimo mais altas para consumidores e empresas, inclusive para residências, automóveis e cartões de crédito.

O presidente do FED, Jerome Powell, reconheceu que a alta inflação se mostrou mais persistente e se espalhou mais amplamente do que ele e muitos economistas esperavam. Um fator em específico se sobressaiu no último relatório do FED: o salário médio por hora mal cresceu em fevereiro. Salários mais altos, embora bons para os trabalhadores, muitas vezes levam as empresas a aumentar os preços para cobrir seus custos trabalhistas mais altos e, assim, aumentar ainda mais a inflação.

Mas essa desaceleração pode não durar se a inflação piorar. Algumas agências de recrutamento estão vendo uma mudança no cenário e pessoas exigindo salários mais altos – muitos trabalhadores estão dizendo que precisam de aumentos para cobrir os custos crescentes, por exemplo, com a gasolina para ir trabalhar.

A forte contratação em fevereiro ocorreu em diversos setores da economia, com restaurantes, bares e hotéis oferecendo 79.000 vagas, a construção, 60.000 e transporte e armazenagem 48.000 vagas. Embora a economia ainda tenha 2,1 milhões de empregos a menos do que antes da pandemia, a diferença é gritante.

Como a obrigatoriedade de máscaras terminou e os casos de covid-19 diminuíram, o número de clientes e consumidores mais que dobrou em diversas empresas, como é o caso da P.volve, por exemplo. A empresa da área fitness oferece o serviço de exercícios físicos em casa e tem três academias em Nova York, Los Angeles e Chicago.

A P.volve, que emprega cerca de 75 pessoas, tem quatro vagas em análise de dados, engenharia e marketing. A grande maioria de seus clientes faz os treinos exclusivos da empresa em casa. Nos últimos quatro meses, 15 pessoas foram contratadas, 10 das quais substituíram os trabalhadores que se demitiram. A demissão atingiu níveis recordes nacionalmente, pois os empregadores que precisavam, recrutaram trabalhadores de outras empresas. Com isso, a P.volve forneceu aumentos salariais e mais oportunidades de liderança para tentar reter seus funcionários.

Depois de meses de preocupações com a escassez de mão de obra que atrapalhava os negócios, mais americanos começaram a procurar emprego em fevereiro pelo segundo mês consecutivo. A proporção de americanos trabalhando ou procurando emprego subiu de 61,5% para 62,3% em comparação com fevereiro de 2021, embora permaneça abaixo do nível pré-pandemia de 63,4%.

Já o número de pessoas que disseram evitar a procura de emprego porque estavam preocupados com a covid-19 caiu para 1,2 milhão em fevereiro, uma queda de 600.000 em relação a janeiro, quando foram reportados milhares de casos de covid-19.

Em resumo, fevereiro foi o melhor mês para o crescimento de empregos nos EUA desde julho de 2021. Porém, o país ainda precisa gerar 2,1 milhões de empregos antes de atingir o nível de fevereiro de 2020 e recuperar todas as perdas na pandemia.

abril 2, 2022

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