Selic atinge 12,75%; o que não fazer em períodos de juros altos?

A taxa básica de juros atingiu 12,75% ao ano nesta quarta-feira (4) e deve continuar subindo para conter a inflação, que teve a maior prévia mensal para abril em 27 anos (1,73%), segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O Banco Central, ao anunciar o aumento da Selic, sinalizou que deverá elevar o juros, com menor magnitude, na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), em junho. É esperado uma nova alta de 0,5 ponto percentual, e que a taxa encerre o ano em 13,25%.

Mas algumas decisões financeiras durante o período de juros altos podem ser perigosas e acabar complicando as finanças. O principal problema é que quando essa taxa está elevada o crédito fica mais caro.

O especialista da Xpeed School, braço de educação financeira da XP Investimentos, Thiago Godoy, explica que a taxa de juros é o valor do dinheiro no tempo. “É como se fosse um aluguel que você paga para pegar uma quantia emprestada ou que você recebe quando empresta para alguém. As instituições financeiras fazem então essa intermediação entre quem poupa e investe e quem precisa do dinheiro, ou seja, pegar um empréstimo”, afirma.

Os juros básicos (Selic) influenciam as aplicações, investimentos e empréstimos. Se esse percentual sobe, o custo do dinheiro aumenta também. “Fica mais caro pegar empréstimo, crédito, financiamento. Fica mais caro consumir. Essa redução do consumo é o que acaba forçando uma queda na inflação”, explica Godoy.

Agora, com a Selic elevada, não é um bom momento para pensar em pegar crédito. “Pagar juros se torna pior ainda do que já é quando os juros estão baixos. Não é indicado você ficar fazendo empréstimos, financiamentos, nem dívidas”, destaca o economista.

Mas Godoy ressalta que há ainda outras variáveis que podem entrar no dilema de pegar ou não crédito. “No caso do financiamento imobiliário, por exemplo, vai variar muito, esse é um investimento que é o sonho de muitas famílias. Então, se for realmente algo que não pode ser adiado tem que ver se há formas de negociar os juros, buscar financiamentos mais baratos, porque esse de fato é momento mais difícil para fazer qualquer financiamento”, explica.

Fazer longas prestações na hora de comprar também não é recomendado, já que isso pode ajudar você a se endividar. “Não é indicando ficar passando seu dinheiro, deixá-lo para pagar parcelas lá na frente. Você vai acabar pagando mais juros em tudo. Além disso, quando você começa a ter muitas coisas em parcela é mais fácil se desorganizar, a sua renda fica comprometida. Boa parte do que entra já sai. Agora é hora de segurar o freio”, analisa Godoy.

“Além disso, ao parcelar tudo, você começa a ter muitas prestações. É mais fácil você se desorganizar e acaba tendo a sua renda comprometida. Boa parte da renda que entra já sai. Agora é hora de segurar o freio”, recomenta o especialista em educação financeira da Xpeed School.

Segundo Thiago Godoy, o melhor momento para se tornar um investidor é agora, quando os juros estão subindo, já que esse se torna um período propício para isso. Mas o economista avalia que a melhor aplicação deve levar em conta alguns fatores, como o quanto você precisa de liquidez, se o perfil da pessoa tem mais aversão ao risco ou menos e os objetivos daquele investimento.

Quando a taxa de juros está alta a renda fixa fica mais atrativa. “No geral, ela tem menos riscos, fica barata e vai estar rendendo significativamente bem. Então, com investimentos da renda fixa atrelados à Selic você consegue ter uma rentabilidade legal. Apostar na renda variável acaba ficando mais arriscado e a rentabilidade é variável”, indica Godoy.

Outra dica são os investimentos com juros pós-fixados. “Nesse caso, o percentual de rentabilidade vai depender de outros fatores, que são a variação da taxa de juros ou da inflação. É muito usado em LCI, LCA, também tem no tesouro direto, tesouro Selic, tesouro IPCA. Os títulos com juros pós-fixados vão subir, porque vão acompanhar essa variação para cima da Selic. Já se diminuísse, os investimentos iriam reduzir”, explica o economista.

* Estagiária do R7, sob supervisão de Ana Vinhas

maio 5, 2022

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