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Sergio Moro reata com Bolsonaro

todayoutubro 5, 2022

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O pleito eleitoral de 2022 produziu uma aliança política inesperada, retomando a dobradinha de sucesso em 2018. Usando uma metáfora bem ao gosto do presidente Jair Bolsonaro (PL), ele e o ex-juiz Sergio Moro reataram o casamento, depois de uma ruidosa separação em 2020.

Após deixar um rastro de traições pelo caminho, o ex-juiz federal finalmente realizou seu sonho e tem um cargo político para chamar de seu. Na última terça-feira (4), o senador eleito pelo estado do Paraná declarou que apoia Jair Bolsonaro para ser reconduzido para mais quatro anos na cadeira do Palácio do Planalto.

Twitter

O senador do União Brasil declarou em sua conta no Twitter que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não é uma opção viável para governar o Brasil e que o governo do petista foi marcado por atos de corrupção. Moro parece não se importar com os escândalos de corrupção de seu novamente aliado Jair Bolsonaro. O ex-juiz já havia sido entrevistado pela RPC e declarado que não iria apoiar para o segundo turno o candidato do Partido dos Trabalhadores.

Lula não é uma opção eleitoral, com seu governo marcado pela corrupção da democracia. Contra o projeto de poder do PT, declaro, no segundo turno, o apoio para Bolsonaro.

— Sergio Moro (@SF_Moro) October 4, 2022

Bolsonaro

O ocupante do Palácio da Alvorada, por sua vez, elogiou o outrora inimigo e declarou que o desentendimento com Moro está “superado”.

O mandatário afirmou que a partir de agora será um novo relacionamento e que Moro, de maneira óbvia, está pensando no Brasil e quer fazer um bom trabalho para a nação e para o Paraná. Bolsonaro ainda declarou que as desavenças com o ex-juiz ficaram no passado, que eles não têm contas a ajustar e que os dois têm que se entender para servirem melhor à pátria.

Bolsonaro ainda ressaltou que quando Sergio Moro chegou como ministro, não tinha nenhuma experiência na política.

Rompimento

Bolsonaro estava se referindo ao atrito entre ele e o senador eleito pelo Paraná quando Moro se demitiu do cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública de seu governo. Na ocasião, Moro anunciou que deixava a pasta por não concordar com a decisão do presidente de trocar o então diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Valeixo, uma indicação de Moro.

Ao anunciar a demissão, Moro declarou que relatou a Bolsonaro que não se opunha à decisão de trocar o comando da PF, mas que o presidente teria que apresentar um motivo para isso. De acordo com o ex-ministro, Bolsonaro estava tentando interferir politicamente na corporação e queria obter informações dentro da PF. A denúncia rendeu ao mandatário a instauração de um inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal), que investigou as denúncias.

Super Moro

Sergio Moro foi juiz titular na 13ª Vara Federal de Curitiba e ganhou notoriedade ao ser responsável por processos da operação Lava Jato na primeira instância. Lula foi um dos políticos condenados por Moro. Em 2021, o STF julgou que o ex-juiz foi parcial na condenação do ex-presidente Lula, e o petista acabou tendo seu processo anulado.

Enquanto era juiz federal, Moro por diversas ocasiões declarou que não tinha interesse em largar seu cargo como juiz para entrar para a política.

Depois de mandar Lula para a cadeia e assim abrir espaço para que Jair Bolsonaro pudesse se tornar presidente, em 2018 Moro aceitou fazer parte do governo Bolsonaro, o que o levou a se afastar das atividades como juiz. Na ocasião ele voltou a afirmar que não tinha intenções políticas, que nunca iria concorrer a algum cargo eletivo e que como ministro da Justiça e Segurança Pública ele estava em um cargo técnico.

Trapalhadas em série

Em novembro do ano passado, Moro chegou a se filiar ao Podemos, mas, após trair a confiança do partido, acabou migrando para o União Brasil, onde concorreu ao cargo de senador pelo Paraná.

O ex-juiz chegou a tentar concorrer pelo estado de São Paulo, mas teve a transferência de seu domicílio eleitoral negada pela Justiça Eleitoral. Moro foi eleito no último domingo (2) e irá ficar no cargo até 2030.

Moro percebeu que para se eleger ao Senado ele precisaria se aliar ao seu antigo desafeto e assim pegou carona no nome de Jair Bolsonaro, que tem força na região Sul do país. Bolsonaro, por sua vez, viu a chance de conquistar os eleitores de Moro para a disputa do segundo turno com Lula. Dado seu histórico, não é difícil imaginar que Moro tente se candidatar à presidência da República em 2026.

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