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Urna grampeada? Primeiras fake news da eleição já indicam o que vem por aí

todayagosto 18, 2022 1

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A campanha eleitoral nem bem começou e a desinformação já vai dando as caras nas redes sociais.

Quais são os conteúdos que estão viralizando e o que eles podem revelar sobre o que vem aí na guerra contra a desinformação?

Urnas grampeadas e desinformação multiplataforma

Um dos primeiros hits dessa temporada é um vídeo de 45 segundos com um senhor falando para a câmera que o TSE teria comprado 32 mil urnas grampeadas para fraudar as eleições. Ele não se preocupa em apresentar qualquer fato, apenas afirma que as urnas estão “intocadas lá” e que vão ajudar a entregar o Brasil à “comunistada”.

O vídeo nasceu no Kwai —ele inclusive carrega a marca d’água do aplicativo de vídeos curtos—, mas está circulando em todas as redes sociais.

As plataformas de vídeos curtos têm por hábito permitir a exportação do seu conteúdo com a inserção de uma marca d’água. Se por um lado isso pode ser interessante para fins de marketing, quando o vídeo contém ataques ou desinformação a marca da empresa acaba viajando junto.

Esse caso mostra que o conteúdo pode nascer em uma rede, mas não existe nada que o prenda nela. Aliás, ao contrário, a tendência é o conteúdo ser repostado em diversas plataformas.

Quanto mais as redes favorecerem vídeos de curta duração, mais será nesse formato que a desinformação vai rodar.

2 de agosto de 2022: É falsa uma alegação que circula em vídeos publicados na rede social Kwai de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) teria comprado 32 mil urnas ?grampeadas? para serem utilizadas nas eleições de 2 - Comprova - Comprova

Vídeo do Kwai espalha fake news sobre urnas grampeadas

Imagem: Comprova

O UOL Confere já fez uma publicação esclarecendo que o conteúdo do vídeo é falso. O número de 32 mil urnas, inclusive, deve ter sido retirado de notícias sobre a contratação da empresa Positivo Tecnologia S.A. pelo TSE para a produção de 32.609 urnas eletrônicas.

Covid, Nicarágua e o fechamento de igrejas

A história de que Lula vai fechar igrejas e proibir cultos evangélicos corre como mensagem de texto. Ela é reforçada por discursos recentes da primeira-dama, amplificados nas redes por políticos e influenciadores que apoiam o governo, de que o Palácio do Planalto era “consagrado a demônios” nas presidências anteriores.

Não precisa mais do que uma mensagem de texto para servir de estopim para a desinformação. Ela viaja nos mais diversos aplicativos de mensagem instantânea, como WhatsApp e Telegram.

Aos mais exigentes, esse conteúdo também pode vir acompanhado de foto de Lula com Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, e notícias sobre o fechamento de rádios católicas naquele país.

Como efeito colateral, “Ortega” virou “assunto do momento” em redes brasileiras na semana passada.

Podemos esperar que muitas das arbitrariedades do governo da Nicarágua apareçam no ecossistema da desinformação do lado de cá, fomentando o medo de perseguição religiosa.

Mas como uma simples mensagem de texto pode fazer tanto estrago?

No manual da desinformação deve constar a regra de que uma fake news será mais convincente quanto mais ela puder estar ancorada em fatos verdadeiros. O componente alucinógeno não está nos fatos, mas sim na sua interpretação ou na conclusão que se tira deles.

Durante o período mais crítico da pandemia houve o fechamento de locais de frequência coletiva, inclusive de igrejas, para reduzir a circulação do vírus. Essa medida foi ordenada por autoridades locais e chegou a ser questionada no Supremo Tribunal Federal. O STF, por 9 a 2, decidiu que estados e municípios poderiam restringir cultos durante a pandemia de covid-19.

O boato de que, em caso de vitória, Lula fecharia igrejas e proibiria cultos se conecta a essa experiência recente de interdição temporária de templos e igrejas por motivos sanitários. Para o eleitor mais apaixonado pelo discurso governista, o Supremo, em conluio com autoridades locais, já conseguiu fazer isso uma vez. Lula apenas repetiria a dose.

Pouco importa se a interdição recente se deu por motivos sanitários e que o candidato do PT jamais tenha manifestado a vontade de assim proceder.

Da mesma forma, o fechamento de rádios católicas na Nicarágua é um fato. Mas encontros passados entre Lula e Ortega (em certa altura, presidentes dos seus respectivos países) não trazem nenhuma evidência de que a medida adotada lá seja replicada aqui.

Essa primeira leva de fake news começa a desenhar um cenário complexo para o combate à desinformação em 2022.

Não adianta olhar para essa eleição como se ela fosse um repeteco de 2018.

É importante entender como conteúdos viajam entre plataformas, a importância da temática religiosa e como o noticiário recente, especialmente sobre as restrições vividas durante a fase de pico da pandemia, vai ser reinterpretado para fomentar medo e ansiedade.

Os próximos meses prometem.

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